Resposta direta: um bom check-up do coração é uma estratificação de risco: um nome bonito para dizer que podemos prever o risco de acontecer um problema cardíaco nos próximos anos. Ela combina entrevista e exames. Além dos exames de rotina, os que mais mudam a conduta hoje são o escore de cálcio coronariano, o Doppler de carótidas, a apolipoproteína B e a lipoproteína (a). Mas outros exames ainda mais complexos podem ser necessários.
Por que não existe um pacote único de exames
Existe um núcleo que quase todo mundo faz. O resto depende do seu estilo de vida, da sua genética, das doenças que você já tem, das queixas atuais e passadas, dos exames anteriores e do resultado dos exames novos. Lista pronta igual para todo mundo é sinal de que ninguém olhou para você.
Os exames que mais mudam a conduta
| Exame | O que mostra |
|---|---|
| Escore de cálcio coronariano | Uma tomografia rápida que mede cálcio nas artérias do coração e devolve um número: mostra se já existe placa |
| Doppler de carótidas e vertebrais | Ultrassom das artérias do pescoço, que enxerga placas antes de darem sintomas |
| Apolipoproteína B (ApoB) | Conta as partículas que levam colesterol para dentro da artéria; mais precisa que o LDL sozinho |
| Lipoproteína (a) | Um fator de risco genético, que o colesterol comum não mostra; basta medir uma vez na vida |
O colesterol isolado é uma visão rasa demais
Controlar o colesterol é fundamental. Mas o valor isolado não conta a história toda. Hoje existem análises mais precisas do risco de aterosclerose, como a apolipoproteína B e a lipoproteína (a). Duas pessoas com o mesmo LDL podem ter riscos muito diferentes.
E a estatina?
Quando indicada, a estatina protege o coração. Mas muitos médicos passam estatina sem orientar mudança de estilo de vida e alimentação, que por si só tem impacto alto. E parte dos pacientes desenvolve dor muscular, treina menos por causa disso e perde músculo. Dizer “vai melhorar” não é conduta. Existem ajustes, outras classes de medicação e, em alguns casos, a coenzima Q10 ajuda a amenizar a dor muscular.
Tratar a placa antes de ela calcificar
Hoje existem exames que enxergam a placa dentro da artéria antes de ela calcificar. Pela primeira vez podemos reverter ativamente uma obstrução dentro da sua artéria antes de ela se tornar definitiva, sem procedimento cirúrgico. Depois que a lesão calcifica, ela se torna irreversível. Por isso o momento da investigação importa.
Mulher também infarta
O risco cardiovascular da mulher é subestimado. Ele acelera na transição para a menopausa e é maior em quem teve menopausa antes dos 45 anos. Muitas mulheres chegam à menopausa sem nunca ter ido ao cardiologista. Antes de começar uma reposição hormonal, a avaliação do coração é um dos três pilares. Saiba mais sobre reposição hormonal feminina.
Quando fazer
- A partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas.
- Antes, se houver história de infarto ou morte súbita precoce na família, colesterol muito alto, diabetes, pressão alta, obesidade ou tabagismo.
- Na transição para a menopausa e antes de iniciar reposição hormonal.
- Antes de começar atividade física intensa, se você tem fatores de risco.
Perguntas frequentes
Meus exames de sangue vieram normais. Estou livre?
Não necessariamente. O colesterol normal não exclui placa, e fatores como a lipoproteína (a) não aparecem no exame comum.
O que é escore de cálcio?
É uma tomografia rápida, sem contraste, que mede o cálcio nas artérias do coração. Zero significa risco baixo; acima de zero mostra que já existe placa.
Lipoproteína (a) precisa repetir?
Em geral, basta medir uma vez na vida, porque ela é determinada pela genética.
Dá para fazer o check-up online?
A consulta e a interpretação dos exames, sim. Avaliações que exigem exame físico, como o risco cirúrgico, são presenciais.
Dr. Luis Trocado
Médico há 15 anos, especialista em clínica médica, cardiologia e terapia intensiva e pós-graduado em nutrologia. CRM/RJ 52-929093 · RQE 26254 · 26255 · 56604. Atende em Ipanema, na Barra da Tijuca e online.
Referências
- Kronenberg et al. Lipoprotein(a) in atherosclerotic cardiovascular disease and aortic stenosis: a European Atherosclerosis Society consensus statement. European Heart Journal, 2022
- Arnett et al. 2019 ACC/AHA Guideline on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease. Circulation, 2019
- El Khoudary et al. Menopause Transition and Cardiovascular Disease Risk: AHA Scientific Statement. Circulation, 2020
- Zhu et al. Age at natural menopause and risk of incident cardiovascular disease. Lancet Public Health, 2019
Conteúdo informativo, revisado em 17 de outubro de 2026. Não substitui consulta: a conduta é sempre individual.