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Dr. Luis Trocado Clínica · CardiologiaPós-graduado em Nutrologia Emagrecimento · Reposição hormonal

Climatério e menopausa

Reposição hormonal feminina: quem pode, benefícios e riscos.

Por Dr. Luis Trocado · Revisado em 17 de outubro de 2026

Resposta direta: a reposição hormonal trata os sintomas do climatério e da menopausa, como calorões (fogachos), insônia, alterações de humor (irritabilidade), perda de libido, perda de energia/disposição e secura vaginal (ressecamento vaginal). Além disso, impede que seu colesterol piore e protege os ossos da osteoporose. Feita na mulher certa, com a medicação certa, pela via certa e no momento certo, os benefícios superam os riscos para a maioria das mulheres elegíveis.

Quem pode fazer

A decisão se apoia em três pilares:

  1. Indicação. Os sintomas são de fato hormonais, a cronologia é compatível e não há contraindicação.
  2. Rastreio ginecológico em dia. Inclui mamografia e, quando indicado, investigação genética.
  3. Avaliação cardiovascular. O risco do coração é estratificado antes de começar. Muitas mulheres chegam à menopausa sem nunca ter ido ao cardiologista.

“Meus exames vieram bons, então não preciso”

O diagnóstico de climatério é clínico, não laboratorial. Dosagem hormonal oscila muito nessa fase, e exame normal não descarta sintoma hormonal. Ignorar os sintomas porque o exame não mostrou alteração é um erro comum.

Reposição causa câncer de mama?

Seu medo do hormônio não é irracional. Ele só é de 2002. Naquele ano, o estudo WHI assustou o mundo. Mas ele usou medicações que hoje não são as preferidas, em mulheres que começaram tarde, com média de 63 anos. Mesmo ali, no grupo que usou estrogênio com progestagênio, o aumento foi de 8 casos a mais a cada 10 mil mulheres por ano, um risco considerado raro. No grupo que usou só estrogênio, houve menos casos de câncer de mama do que no placebo.

O que mudou de lá para cá: respeitar a janela de início, usar hormônios isomoleculares, escolher a via certa e manter o rastreio oncológico.

E história familiar não é tudo igual: uma tia com câncer de mama não é o mesmo que uma mãe ou uma irmã. Isso entra na avaliação, não encerra a conversa.

E a trombose?

O risco de trombose depende da via. O comprimido passa pelo fígado antes de circular e mexe na coagulação. Adesivo e gel não fazem esse caminho. Não é a dose: é o caminho. Escolher a via certa reduz muito esse risco.

Existe idade certa para começar?

Existe uma janela. O melhor momento é nos primeiros 10 anos após a menopausa ou antes dos 60 anos. Começar dentro dela é o que mais pesa a favor da segurança.

Quem não pode fazer

Câncer de mama atual ou passado, trombose prévia, doença ativa do fígado, sangramento vaginal sem causa esclarecida e infarto ou AVC prévios são contraindicações. Fumar exige cuidado redobrado com a via e a avaliação. O erro não é respeitar a contraindicação; é encerrar a conversa nela, sem tratar os sintomas de outra forma.

Por quanto tempo?

Em geral, anos. Não existe prazo: existe reavaliação. Quando a reposição é interrompida cedo, os sintomas costumam voltar e parte dos benefícios se perde. Parar aos 60 ou 65 anos só por causa da idade não é mais recomendado.

O que a reposição não é

Não é antienvelhecimento, não é emagrecedor e não é o mesmo que anticoncepcional: dose e finalidade são diferentes. Entenda por que é difícil emagrecer na menopausa.

E os implantes?

O implante é simplesmente uma via de administração, como o adesivo e o gel. O que importa é a indicação e a dose correta, sem exagero para tentar ganho estético. Ajudam em quem tem alguma limitação de absorção na pele, prejudicando o uso do gel.

Por que um cardiologista cuida disso

A principal preocupação com a reposição sempre foi o risco cardiovascular, e essa é a minha formação. A avaliação inclui exames do coração e dos vasos, densitometria, mamografia e ultrassonografias, além da história e dos sintomas.

Perguntas frequentes

Reposição engorda?

Os estudos não mostram que a reposição engorde. Ela também não emagrece, mas melhora o sono e os sintomas, o que facilita cuidar do peso.

Preciso esperar os sintomas piorarem?

Não. Esperar pode tirar você da melhor janela para começar.

Vou ter que tomar para sempre?

Não existe prazo fixo. O tratamento é reavaliado periodicamente.

Quem teve câncer de mama na família pode fazer?

Depende do grau de parentesco e da história. A avaliação define, caso a caso.

Dr. Luis Trocado

Médico há 15 anos, especialista em clínica médica, cardiologia e terapia intensiva e pós-graduado em nutrologia. CRM/RJ 52-929093 · RQE 26254 · 26255 · 56604. Atende em Ipanema, na Barra da Tijuca e online.

Referências

Conteúdo informativo, revisado em 17 de outubro de 2026. Não substitui consulta: a conduta é sempre individual.

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